16 JUL 2021

Hospital Universitário trabalha na humanização do atendimento em todos os setores

Quem passa pelo imponente prédio do bairro Uvaranas pode não imaginar com quantas pessoas ele é formado. Desde a UTI, passando pelo administrativo, recepção, cozinha e vigilância, o fator humano nunca deixou de ser o lado essencial no Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG). Em busca de aprimorar o aspecto da humanização no atendimento,  o Hospital, por meio da Direção Acadêmica (DAC), implantou um curso com profissionais de todos os setores. O objetivo é melhorar o relacionamento interpessoal e promover acolhimento e bom atendimento ao paciente durante a permanência no Hospital.

O curso tem duração de 21 dias e envolve trabalhadores do HU, servidores efetivos da Secretaria de Estado da Saúde, servidores temporários, residentes e pessoas jurídicas. O zelo pelo trabalho também perpassa pela cozinha do Hospital Universitário. A copeira Juliana de Andrade Salvador serve almoço no refeitório para os funcionários e ceia à noite para os pacientes e já incorporou hábitos que aprendeu no curso. “Penso que, depois de muitos anos fazendo a mesma coisa, infelizmente ativamos o piloto automático e, com o decorrer do tempo, esquecemos da essência de quando começamos a trabalhar”, explica. Para Juliana, a lição aprendida será colocada em prática com soluções de problemas de maneira mais simples e rápida. “Creio que quando nos colocamos no lugar do próximo, passamos a sentir o que a pessoa sente. Conseguimos transmitir coisas boas, de que tudo vai dar certo e que isso vai passar”.

Miriam Darlana Ferreira é recepcionista do Pronto Atendimento e conta que sentiu o impacto da rotina pesada dos últimos meses. “Às vezes acabamos levando o trabalho de maneira mais automática, mas é sempre bom lembrar que trabalhamos com pessoas, muitas delas em situações delicadas”, ressalta. Colocar-se no lugar do próximo é a máxima que Miriam levará para sua atuação profissional.  “Sei que posso acalmar o familiar de um paciente internado. E essas pequenas atitudes mudam o dia de alguém”. A recepcionista conta que já incorporou algumas mudanças na forma do atendimento. “Tento prestar o melhor atendimento possível quando recebo algum familiar de paciente. Tento deixá-lo o mais calmo para o momento. Antes de tomar qualquer decisão, procuro me colocar no lugar do outro”, completa.

“O curso veio em uma época que estávamos realmente precisando”, relata Karine Mariano Rosa de Sousa, técnica de enfermagem da UTI Covid. Segundo ela, o volume de trabalho é tão grande que a equipe luta para não fazer tudo no automático. “Nos sentíamos vazios… vazios de tudo, pois já havíamos dado tudo que tínhamos de nós e precisávamos de carinho, de vigor, de esperança e de refrigério para a alma”. Apesar de todo o reconhecimento interno e externo que os profissionais dos setores Covid tiveram, ainda sim, a rotina na prática era sentida e difícil. “O curso nos revigorou. Teve dias que ação proposta nos fazia refletir e, em alguns momentos, posso dizer que repensei minhas atitudes”.

Karine explica que a sua profissão é baseada em cuidar do próximo e que refletiu sobre os momentos em que faltou paciência de sua parte. “Mesmo que existam pessoas que façam um trabalho superficial, elas podem repensar suas atitudes em um curso desses. E é muito importante para nós que tenhamos esse investimento para nos relembrar o porquê escolhemos a enfermagem como profissão”. Depois do curso, Karina retomou o olhar carinhoso para com as pessoas.  “Aquela lamparina, que é símbolo da nossa profissão, para mim indica a luz que levamos em meio às trevas, da morte que às vezes ronda nosso pacientes. Porém, como bravos guerreiros da vida, não deixamos nossos pacientes desistirem”.

Por meio de um grupo no WhatsApp, os profissionais devem fazer uma tarefa por dia e refletir sobre suas práticas profissionais. Isadora Correa Prestes, fisioterapeuta e mentora do projeto, conta que a proposta surgiu a partir de uma aula de humanização da Residência Multiprofissional em Reabilitação, onde são desenvolvidas atividades para impactar a vida dos residentes.  “Mas aí veio a pandemia e vimos a necessidade de falar sobre isso no ambiente hospitalar”. Para Isadora,  a importância de conversar sobre humanização é justamente sair da rotina. “O cansaço e estresse que a pandemia trouxe para as equipes mudaram o ambiente hospitalar totalmente e a forma de se trabalhar muda. Daí a importância de votarmos a falar do outro, enxergar e reconhecer os seus limites e voltar a sorrir para o próximo”.

Refletir o comportamento com todos. Esse foi o que a técnica de enfermagem Vanusa Aparecida de Oliveira fez durante o curso. “Aprendi a reconhecer a importância que cada um tem na minha vida, tanto a família, quanto pacientes e colegas de trabalho”, explica.  Segundo ela, o ponto chave da humanização no trabalho é fazer com que o atendimento seja igual com todos. Ela ainda dá um exemplo. “Se um parente da chefia internar aqui, não terá cuidado melhor em comparação a qualquer outro paciente”.

Na entrada do HU fica o vigilante Marcos Araújo. Após participar do curso, Marcos destaca a importância de se colocar no lugar do outro e praticar a empatia. “É necessário a ter mais humanização no serviço, para que tenhamos um local de paz, tranquilidade, pois o trabalho é onde passamos boa parte da nossa vida e devemos fazer dele um bom lugar”. Para Marcos, colocar em prática o que aprendeu no curso será seu objetivo nos próximos dias”. Agradeço ao HU pela disponibilidade em nos ajudar”.

Para enfermeira Priscila Tozetto, é maravilhosa a expressão de gratidão do paciente quando o profissional o atende com dedicação. “Acho muito importante buscarmos a humanização no nosso trabalho, porque isso traz benefícios não só para o paciente, mas também para quem coloca esse aprendizado em prática”. A Direção Acadêmica do HU pretende dar continuidade aos cursos sobre humanização com os profissionais. “Temos expectativa de novos cursos, temos o Humai para trabalhar e retornaremos com cursos no HU, para alcançar as profissionais que nessa primeira vez não conseguiram realizar”, finaliza Isadora.

Texto e fotos: Jéssica Natal